“Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida.” Caetano Veloso Eneagrama 2 - Auto e Heteroconhecimento - aprofundamento
- Sofia Rodrigues
- 17 de mai.
- 2 min de leitura

“Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida.”
Caetano Veloso
E talvez cuidar também passe pela forma como comunicamos. Pelo esforço de escutar melhor, de nos percebermos melhor e de tentar ver para além do que aparece à superfície.
Porque pode ser difícil mudar a perceção de alguém. Mas talvez possamos ampliar e expandir horizontes. Os nossos e os dos outros.
Tenho saído destes cursos de auto e heteroconhecimento, Eneagrama 2 | Aprofundamento na Casa da Torre, Soutelo, em Braga a pensar na complexidade que existe na forma como comunicamos afeto.
No que é, para cada um de nós, cuidar. Nas formas tão diferentes como procuramos segurança, reconhecimento e presença. Nas expectativas que temos dos outros e que, tantas vezes, se desencontram.
Sou capaz de ver para além da minha verdade?
Da minha vontade?
Da minha forma habitual de interpretar o mundo?
Estamos atentos às necessidades dos outros.
Mas estou atento às minhas?
Consigo fazer mudanças?
E quando mudo, consigo aceitar que os outros talvez ainda não reconheçam essa mudança?
Às vezes fico magoado porque o outro não teve em conta o meu ponto de vista.
Porque não foi tão claro, tão direto ou tão cuidadoso como eu precisava.
Mas também me pergunto:
como comunico eu?
De que lugar estou a falar?
Da consciência ou da ferida?
Da escuta ou da defesa?
É aqui que o Eneagrama tem feito sentido. Não como uma caixa ou rótulo onde colocamos pessoas, mas como uma forma de observar padrões, defesas e sombras. Aqueles lugares de onde reagimos sem dar conta.
Também me cruza com a psicologia positiva e construtivista: não olhar apenas para falhas ou dificuldades, mas para recursos, possibilidades, escolhas e formas diferentes de construir significado.
Há as intenções de cada um.
Há o impacto que temos no outro.
E há também aquilo que nunca conseguimos controlar totalmente: a forma como o outro nos recebe.
Talvez por isso faça sentido ter em conta como está o outro, mas também como estou eu. Escutar antes de concluir. Tentar perceber antes de julgar.
Não podemos dizer que quem está sempre alegre é superficial.
ou que quem aponta críticas é “o chato”.
Quem se cala pode não estar indiferente.
Quem fala muito pode estar só a tentar ser compreendido.
Talvez haja sempre mais por detrás do que vemos. O essencial, às vezes, também pede outro olhar.
E talvez seja isso que vamos treinando nestes encontros: olhar para nós e para o outro com mais profundidade, mais curiosidade e menos julgamento.
Não é fácil. Mas talvez seja por aí.
Ajudamo-nos a tornar este mundo um bocadinho melhor?



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