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“Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida.” Caetano Veloso Eneagrama 2 - Auto e Heteroconhecimento - aprofundamento

Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida.”


Caetano Veloso



E talvez cuidar também passe pela forma como comunicamos. Pelo esforço de escutar melhor, de nos percebermos melhor e de tentar ver para além do que aparece à superfície.


Porque pode ser difícil mudar a perceção de alguém. Mas talvez possamos ampliar e expandir horizontes. Os nossos e os dos outros.


Tenho saído destes cursos  de auto e heteroconhecimento, Eneagrama 2 | Aprofundamento na Casa da Torre, Soutelo, em Braga a pensar na complexidade que existe na forma como comunicamos afeto. 


No que é, para cada um de nós, cuidar. Nas formas tão diferentes como procuramos segurança, reconhecimento e presença. Nas expectativas que temos dos outros e que, tantas vezes, se desencontram.



Sou capaz de ver para além da minha verdade?

Da minha vontade?

Da minha forma habitual de interpretar o mundo?



Estamos atentos às necessidades dos outros.


Mas estou atento às minhas?

Consigo fazer mudanças?

E quando mudo, consigo aceitar que os outros talvez ainda não reconheçam essa mudança?



Às vezes fico magoado porque o outro não teve em conta o meu ponto de vista.

Porque não foi tão claro, tão direto ou tão cuidadoso como eu precisava.



Mas também me pergunto:


como comunico eu?

De que lugar estou a falar?

Da consciência ou da ferida?

Da escuta ou da defesa?



É aqui que o Eneagrama tem feito sentido. Não como uma caixa ou rótulo onde colocamos pessoas, mas como uma forma de observar padrões, defesas e sombras. Aqueles lugares de onde reagimos sem dar conta.


Também me cruza com a psicologia positiva e construtivista: não olhar apenas para falhas ou dificuldades, mas para recursos, possibilidades, escolhas e formas diferentes de construir significado.


Há as intenções de cada um.

Há o impacto que temos no outro.

E há também aquilo que nunca conseguimos controlar totalmente: a forma como o outro nos recebe.



Talvez por isso faça sentido ter em conta como está o outro, mas também como estou eu. Escutar antes de concluir. Tentar perceber antes de julgar.



Não podemos dizer que quem está sempre alegre é superficial.

ou que quem aponta críticas é “o chato”.

Quem se cala pode não estar indiferente.

Quem fala muito pode estar só a tentar ser compreendido.



Talvez haja sempre mais por detrás do que vemos. O essencial, às vezes, também pede outro olhar.


E talvez seja isso que vamos treinando nestes encontros: olhar para nós e para o outro com mais profundidade, mais curiosidade e menos julgamento.



Não é fácil. Mas talvez seja por aí.



Ajudamo-nos a tornar este mundo um bocadinho melhor?



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