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Orientação Vocacacional: Emparelhar é preciso, viver não é preciso

Emparelhar é preciso, viver não é preciso


Segundo Law (1991), numa primeira fase da orientação vocacional, predominou uma lógica de emparelhamento: agrupar características individuais previamente identificadas com as exigências das atividades profissionais, através de medidas objetivas.


Era a conceção tradicional da “descoberta da vocação”. Como refere Campos (1980), “a função do exame é ajudar o indivíduo a conhecer-se e o da sessão de informação é ajudar a conhecer o sistema em que se encontra”.


Durante muito tempo, isto fez sentido. Os exames psicológicos, os testes e a informação trouxeram alguma objetividade a escolhas antes muito condicionadas pela origem social, familiar e cultural (Imaginário, 1997/1998).


Mas viver não é preciso no sentido da exatidão.


Como lembram Campos e Coimbra (1991), uma racionalidade assente na estabilidade dos atributos individuais e das profissões deixa pouco espaço para a transformação.

Nesse modelo, a orientação pode tender a conservar aquilo que a pessoa “é”, em vez de abrir possibilidades para aquilo que pode vir a construir.


Os instrumentos podem ajudar. Os testes podem abrir conversa. A informação pode ampliar horizontes.


Mas, por si só, são insuficientes para compreender o percurso de uma pessoa.

Uma trajetória não se reduz a um perfil, nem a um ajuste perfeito entre pessoa e profissão.


Como sublinham Savickas et al. (2009), usar apenas medidas objetivas e perfis normativos é insuficiente para compreender uma pessoa na sua complexidade.

Porque escolher uma direção nasce também das experiências, dos contextos, dos valores, das forças e das possibilidades que cada pessoa vai sendo capaz de imaginar.


Emparelhar pode exigir precisão.


Mas viver, escolher, mudar e recomeçar exige mais do que ajuste.


Exige sentido, agência e abertura ao que ainda pode vir a ser.


Orientar é acompanhar esse movimento.


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