Orientação Vocacacional: Emparelhar é preciso, viver não é preciso
- Sofia Rodrigues
- há 7 horas
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Emparelhar é preciso, viver não é preciso
Segundo Law (1991), numa primeira fase da orientação vocacional, predominou uma lógica de emparelhamento: agrupar características individuais previamente identificadas com as exigências das atividades profissionais, através de medidas objetivas.
Era a conceção tradicional da “descoberta da vocação”. Como refere Campos (1980), “a função do exame é ajudar o indivíduo a conhecer-se e o da sessão de informação é ajudar a conhecer o sistema em que se encontra”.
Durante muito tempo, isto fez sentido. Os exames psicológicos, os testes e a informação trouxeram alguma objetividade a escolhas antes muito condicionadas pela origem social, familiar e cultural (Imaginário, 1997/1998).
Mas viver não é preciso no sentido da exatidão.
Como lembram Campos e Coimbra (1991), uma racionalidade assente na estabilidade dos atributos individuais e das profissões deixa pouco espaço para a transformação.
Nesse modelo, a orientação pode tender a conservar aquilo que a pessoa “é”, em vez de abrir possibilidades para aquilo que pode vir a construir.
Os instrumentos podem ajudar. Os testes podem abrir conversa. A informação pode ampliar horizontes.
Mas, por si só, são insuficientes para compreender o percurso de uma pessoa.
Uma trajetória não se reduz a um perfil, nem a um ajuste perfeito entre pessoa e profissão.
Como sublinham Savickas et al. (2009), usar apenas medidas objetivas e perfis normativos é insuficiente para compreender uma pessoa na sua complexidade.
Porque escolher uma direção nasce também das experiências, dos contextos, dos valores, das forças e das possibilidades que cada pessoa vai sendo capaz de imaginar.
Emparelhar pode exigir precisão.
Mas viver, escolher, mudar e recomeçar exige mais do que ajuste.
Exige sentido, agência e abertura ao que ainda pode vir a ser.
Orientar é acompanhar esse movimento.



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