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CRISE GERA DESENVOLVIMENTO

Atualizado: 17 de fev.



Quantas crises atravessamos? Acreditamos que uma vida normal é uma vida fracassada? E a partir da dor e do sofrimento, já sentimos uma força e alegria a invadir-nos, sem explicação consciente?


Neste ritmo acelerado, em que o cansaço parece dominar e toldar a nossa visão da vida de forma negativa, como nos tornamos? Bauman (2001) refere-se à incerteza como poderosa fonte desinvidualizante que leva à indiferença, ceticismo e desconfiança em relação aos outros, o que contribui para a desconstrução de conceitos como o compromisso, o bem comum e para a desintegração da cidadania. Este tipo de efeitos negativos da incerteza que resultam no colapso do conceito de comunidade, tem conduzido ao que Elias (1993) denominou de “sociedade de indivíduos”, para reforçar o individualismo cada vez mais presente nas sociedades ocidentais.


Há quem refira que esta “estranha” forma de vida pode levar ao caos, entendido como estado de desordem ou confusão, aleatoriedade e não ao cosmos, significado como "organização", "beleza", "harmonia".


Ao ouvirmos histórias de várias pessoas, há um denominador comum que vários autores destacam, não há vida sem crises, permanecemos a caminhar entre o caos e o cosmos. E é preciso percorrer o caos, as crises e o cosmos. No curso de psicologia, ouvimos constantemente: crise gera desenvolvimento. E há uma esperança que vem desta frase, abre a possibilidade de que as crises levam a um sentido.


De facto, refletir sobre algo que nos angustia ou irrita nos outros, pode levar a uma maior compreensão de nós mesmos. Muitas vezes, as nossas certezas vêm daquilo que nos inquieta, podemos transformar-nos e ser positivo a flexibilidade identitária e a liberdade no investimento, mesmo sem conseguirmos controlar todas as variáveis ou quando temos de aceitar a ambiguidade.


Mudar os outros ou o mundo que nos rodeia pode ser tarefa impossível, sendo que o processo terapêutico ajuda a compreender o que podemos mudar em nós. 


Passo a passo, caminhando entre o caos e os cosmos. 


 

Elias, N. (1993). A sociedade dos indivíduos. Lisboa: Publicações Dom Quixote.


Bauman, Z. (2001). Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.

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