Beleza da Imperfeição
A exposição Alice Neel: A Beleza da Imperfeição, na Ala Álvaro Siza do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, pode ser desconcertante.
Os corpos transformados pela maternidade, o olhar esgazeado, a intimidade exposta. Tudo é retratado com algum desalinhamento.
Num tempo em que a estética parece ter de estar sempre alinhada, em que os filtros corrigem a imagem e em que aprendemos a esconder o feio, o frágil e o imperfeito, esta exposição provoca-nos de forma muito atual.
No mundo corporativo acontece muitas vezes o mesmo.
Projetamos uma imagem de competência, segurança e controlo, mas por detrás dela podem existir ansiedade, depressão, insegurança, exaustão. Tudo aquilo que consideramos menos perfeito e que, tantas vezes, preferimos não mostrar.
Mas também na imperfeição coexistem sombra e luz.
Talvez seja preciso trazer mais coisas às claras, sem vergonha.
Afinal, aquilo que somos, mesmo quando imperfeito, pode ser compreendido, cuidado e amado.










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