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ABRAÇAR A DOR 

Hoje só me ocorre escrever sobre o luto: sobre saber perder e saber mudar.


As pessoas que perdemos permanecem em nós, entre o desejo de as termos cá e a certeza de que nos deixam marcas inegáveis, quando são significativas.


É um movimento oscilatório entre processos internos:

  • orientar-me para a perda, sentir a dor, recordar, chorar e falar sobre a pessoa e,

  • orientar-me para a reparação, adaptar-me à nova vida, reorganizar rotinas, investir noutras relações ou projetos.


O luto psicológico é o processo emocional, cognitivo e social vivido após uma perda significativa. Normalmente, associa-se à morte de alguém querido, mas também pode ocorrer após outras perdas, como uma separação, uma doença, a perda de emprego ou uma mudança drástica na vida.


Nunca é fácil perder um pai ou uma mãe, um avô ou uma avó…


Leio algumas notas escritas no meu caderno:

- Deve-se abraçar a dor.

- Sofre-se mais quando se foge.

- Há muito mistério na morte e na vida.

- Mesmo quem adoece pode viver a doença como missão.


Hoje faz dois anos que o meu orientador, Professor Joaquim Luís Coimbra, partiu. 


Ontem fui à Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação de Universidade do Porto dar uma conferência sobre dilemas na orientação vocacional. Obrigada pelo convite! 


Tudo o que disse devo a ele e a todos os professores que me ensinaram nesta área.


Resta agradecer a vida de quem faz o Bem.


Até breve, 

Sofia




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