A esperança faz-se de espera ativa

A esperança faz-se de espera ativa
Na terça-feira assisti em direto, à hora de almoço, ao discurso de António Guterres na Assembleia Geral da ONU que ainda está a decorrer.
É curioso como quem acredita profundamente na humanidade nos fala de um lugar onde nos reconhecemos, mais próximos, mais iguais, sem deixarmos de ser diferentes.
A convicção de um homem que diz não desistir e que continuará a defender a paz e os direitos humanos ganha ainda mais força quando reconhece o sofrimento de uma sociedade fragmentada, onde as divisões se tornam enormes desfiladeiros. Aponta as crises climáticas, as desigualdades sociais e a inteligência artificial como questões às quais temos de estar atentos.
Num mundo marcado por diferentes tradições, culturas e formas de ver, os valores continuam a ser fundamentais. Sabemos que são constitutivos do nosso desenvolvimento enquanto pessoas, nas relações de trabalho, na família e na forma como nos relacionamos com os outros.
Talvez seja também esse um dos desafios: perceber que nenhuma realidade existe isoladamente. Construímo-la nas relações, nos contextos e na forma como olhamos e damos significado ao que nos acontece.
Se a narrativa que queremos construir, se o mundo em que queremos viver, é um mundo de paz, então temos mesmo de o construir ativamente.
Mesmo a esperança faz-se de uma espera ativa.
Os movimentos são lentos, mas é fundamental uma liderança capaz de ver na diferença complementaridade, de olhar o outro com mais compaixão e de perceber que o contexto faz uma enorme diferença.
Que se consiga dialogar, escutar e construir pontes.



Comentários