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A esperança faz-se de espera ativa

26 de set.
1 min de leitura




A esperança faz-se de espera ativa


Na terça-feira assisti em direto, à hora de almoço, ao discurso de António Guterres na Assembleia Geral da ONU que ainda está a decorrer. 


É curioso como quem acredita profundamente na humanidade nos fala de um lugar onde nos reconhecemos, mais próximos, mais iguais, sem deixarmos de ser diferentes. 


A convicção de um homem que diz não desistir e que continuará a defender a paz e os direitos humanos ganha ainda mais força quando reconhece o sofrimento de uma sociedade fragmentada, onde as divisões se tornam enormes desfiladeiros. Aponta as crises climáticas, as desigualdades sociais e a inteligência artificial como questões às quais temos de estar atentos. 


Num mundo marcado por diferentes tradições, culturas e formas de ver, os valores continuam a ser fundamentais. Sabemos que são constitutivos do nosso desenvolvimento enquanto pessoas, nas relações de trabalho, na família e na forma como nos relacionamos com os outros.


Talvez seja também esse um dos desafios: perceber que nenhuma realidade existe isoladamente. Construímo-la nas relações, nos contextos e na forma como olhamos e damos significado ao que nos acontece.


Se a narrativa que queremos construir, se o mundo em que queremos viver, é um mundo de paz, então temos mesmo de o construir ativamente.


Mesmo a esperança faz-se de uma espera ativa.


Os movimentos são lentos, mas é fundamental uma liderança capaz de ver na diferença complementaridade, de olhar o outro com mais compaixão e de perceber que o contexto faz uma enorme diferença.


Que se consiga dialogar, escutar e construir pontes. 



 
 
 

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