Um avião de papel: entre as expectativas e a aceitação
- Sofia Rodrigues
- 19 de abr.
- 1 min de leitura

Há gestos simples que devolvem calma à mente e paciência ao coração. Fazer um avião de papel pode ser um deles.
É preciso aprender a dobrá-lo, lançá-lo com leveza, aceitar a incerteza da trajetória e perceber que, entre a liberdade e a relação, há espaço para o que realmente importa.
Quando o avião construído em consulta foi lançado na minha direção, mesmo que a trajetória falhasse ou se desviasse, havia leveza em perceber que eu torcia pelo voo dele, como ele torcia pelo meu. Foi aí que senti a reciprocidade.
Às vezes, a mente precisa mesmo disso. De um gesto simples que abrande tudo por dentro.
Um avião de papel pode parecer algo pequeno, mas há qualquer coisa nesse gesto de dobrar devagar, alinhar e respirar que nos acalma.
Foi assim que me conquistaste.
Talvez o mundo dos adultos seja complicado demais. Eu também prefiro ser livre, poder refugiar-me na imaginação, mas ainda assim sorrir quando as coisas não correm como deviam.
Nesse momento, percebi que aquele avião tinha tudo o que era necessário: sonhos por cumprir, espaço para respirar e a leveza de saber viver o momento.
Acho que, quando nos libertamos dos pressupostos, tudo flui melhor.
Talvez o que mais nos pese seja o excesso de expectativas, de controlo e de ideias sobre como tudo devia ser.
Quando aceitamos o momento tal como ele é, com menos exigência, a mente acalma.
E, às vezes, é nessa aceitação que encontramos a leveza e o sorriso de que tanto precisamos.
Foto de Ben Soyka na Unsplash
Sofia Santos Rodrigues
Psicóloga



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