Catástrofes e Sensibilidade




A poderosa mente humana, com todas as suas notáveis capacidades (aprendizagem, decisão, criação), tem necessidade de reconhecer a interdependência e respeito pela natureza humana e não humana. Considero que a importância de escutar e de por em prática soluções é fundamental e urgente.


Cito António Damásio (2020), que no seu livro Sentir e Saber - A caminho da consciência, dá contributos essenciais para a compreensão dos processos cerebrais subjacentes às emoções, aos sentimentos e à consciência.


“Por detrás da harmonia ou do horror que reconhecemos na arte criada pela inteligência e pela sensibilidade humanas estão sentimentos afins de bem-estar, prazer, sofrimento e dor. Por detrás destes sentimentos estão os estados de vida que seguem ou violam as exigências da homeostasia. E por baixo desses estados de vida, temos processos químicos e físicos responsáveis pela viabilidade ou não da vida e pela afinação das esferas.

Poderá ser útil identificar prioridades e reconhecer a interdependência à medida que lidamos com a devastação que os seres humanos infligiram à Terra e à sua vida, devastação essa que porventura será responsável por algumas das catástrofes com que agora nos deparamos, entre as quais a pandemia e as alterações climáticas são os dois exemplos mais óbvios. Seria bom se os desastres atuais nos dessem renovadas razões para escutar as vozes daqueles que têm dedicado as suas vidas a pensar nos problemas com que hoje nos deparamos. As soluções que propõem são sensatas, éticas, práticas e compatíveis com o magnífico palco biológico que os seres humanos ocupam. Ao fim e ao cabo, devemos ter esperança e temos algumas razões para o otimismo.”

António Damásio, 2020.


Damásio, A (2020). Sentir & Saber- A caminho da consciência. Trad. de Luís Oliveira Santos/João Quina Edições. Lisboa: Temas e Debates.

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